Muse, agente de IA da Meta, passa de 10 milhões de usuários e movimenta compras

O Muse, agente pessoal de IA da Meta, superou 10 milhões de usuários em seis semanas e já impulsiona compras acima de US$ 200. Veja números, monetização e o impacto no comércio.
Muse, agente de IA da Meta, passa de 10 milhões de usuários e movimenta compras

Zuckerberg diz que o agente de IA Muse, da Meta, passa de 10 milhões de usuários

Muito se fala sobre o potencial dos agentes de inteligência artificial, mas poucas empresas haviam mostrado números concretos de adoção. A Meta acaba de fazer isso. Segundo Mark Zuckerberg, mais de 10 milhões de pessoas nos Estados Unidos e no Canadá configuraram o Muse, o agente pessoal de IA da empresa, em cerca de seis semanas.

O dado foi revelado na teleconferência de resultados do terceiro trimestre, realizada na quarta-feira, 21 de outubro. E o detalhe mais curioso veio em seguida: o volume de compras feitas pelo Muse foi tão grande que a Meta precisou pedir à Stripe que aumentasse os limites de crédito, segundo a Fortune. É o primeiro sinal claro de que o investimento bilionário da Meta em inteligência artificial está resultando em um produto que as pessoas realmente usam, e que pode abrir uma fonte de receita além da publicidade.

Uma adoção mais rápida que a do Threads

O Muse ficou disponível em 8 de setembro. Desde então, segundo Zuckerberg, o número de cadastros superou em mais que o dobro o ritmo inicial do Threads e, nas estimativas da empresa, também o de outros aplicativos de IA. De acordo com a Associated Press, cerca de 25% das pessoas que configuram o agente o utilizam em um dia qualquer, um nível de engajamento considerável para um produto tão recente.

Compras são o principal uso

O que mais chama atenção é a forma como as pessoas estão usando o Muse. As compras aparecem como a atividade mais comum. Segundo o Business Insider, mais de um quarto dos usuários já comprou algo por meio do agente, e o valor médio de cada compra passa de US$ 200.

Zuckerberg contou que a empresa precisou trabalhar com a Stripe para ampliar os limites de crédito porque os volumes superaram todas as expectativas. Ele não revelou de quanto foi esse aumento, mas o episódio mostra que os consumidores estão dispostos a confiar em um agente de IA não apenas para pesquisar produtos, mas para concluir a compra.

Como a Meta pretende ganhar dinheiro

O Muse continuará gratuito para a maioria dos usuários. A estratégia da Meta é lucrar com ferramentas de comércio que cobram das empresas uma taxa sobre as vendas que o agente ajudar a concretizar. Para quem usa o agente com mais intensidade, haverá planos de assinatura mensais de US$ 20 e US$ 100, segundo a CNBC.

Zuckerberg admitiu que, neste caso, a empresa vai começar a monetizar mais cedo do que costuma fazer com seus produtos. Normalmente, a Meta primeiro conquista uma grande base de usuários e só depois pensa em receita. Com o Muse, o volume de transações acelerou esse plano.

Um padrão para agentes conversarem entre si

Um dos anúncios mais estratégicos veio da diretora financeira, Susan Li. A Meta trabalha com parceiros como Shopify e Walmart no Personal Agent Protocol, um padrão que define como os agentes dos consumidores vão interagir com os agentes das empresas.

Na prática, isso aponta para um futuro em que o agente de um cliente conversa diretamente com o sistema de uma loja para consultar produtos, comparar preços, verificar estoque e fechar pedidos. Li reconheceu, porém, que a adesão das empresas deve acontecer de forma desigual, já que algumas temem perder o relacionamento direto com seus clientes.

Custos altos e resultados fortes

Manter um agente como o Muse funcionando exige muito poder computacional. Ainda assim, Zuckerberg afirmou que a Meta espera torná-lo mais de dez vezes mais eficiente em custo dentro de um ano, o que permitiria ao produto dar lucro quando as fontes de receita ganharem escala.

O investimento é enorme. A Meta prevê gastos de capital entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões neste ano, quase o dobro dos US$ 72,2 bilhões do ano anterior, segundo a Fortune. Os resultados financeiros, por outro lado, vieram fortes. A receita do terceiro trimestre cresceu 26% e chegou a US$ 64,60 bilhões, acima das estimativas, com lucro líquido de US$ 9,86 bilhões. Para o quarto trimestre, a empresa projeta receita entre US$ 73 bilhões e US$ 76 bilhões.

As ações subiram no pregão estendido de quarta-feira, mas recuaram na quinta, segundo o Yahoo Finance, refletindo a cautela dos investidores diante do tamanho dos gastos.

O comércio feito por agentes já começou

O sucesso inicial do Muse mostra que o chamado comércio agêntico deixou de ser uma tendência distante. Milhões de pessoas já estão pedindo a um agente de IA que encontre produtos, compare opções e finalize compras. E, com a Meta, a OpenAI e a Anthropic investindo pesado em agentes, esse comportamento deve crescer rapidamente.

Para as empresas, isso traz uma mudança importante. O cliente pode não visitar a loja virtual como fazia antes. Em muitos casos, quem vai ler as páginas, interpretar as informações e decidir onde comprar será um agente. Se os dados do produto estiverem incompletos, se o site for lento ou se o processo de compra for confuso, a venda pode simplesmente ir para a concorrência.

O que observar a partir de agora

Informações claras sobre produtos, preços, prazos de entrega e políticas de troca passam a ser ainda mais valiosas. Páginas bem estruturadas, catálogos organizados e um processo de compra simples facilitam o trabalho tanto do cliente quanto do agente que age em nome dele. Quem se preparar agora sai na frente quando esse tipo de compra se tornar comum também no Brasil.

Prepare seu site e sua loja virtual para os agentes de IA

O comportamento de compra está mudando, e os negócios precisam acompanhar essa transformação. Um site ou uma loja virtual profissional, rápida, bem estruturada e com informações completas aumenta as chances de sua empresa ser encontrada, compreendida e escolhida, seja por uma pessoa ou por um agente de inteligência artificial.

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