A vice-presidente de Search do Google, Liz Reid, afirmou que agentes de inteligência artificial podem transformar profundamente a forma como a internet funciona.
Durante participação no podcast Access, Reid discutiu o impacto crescente da IA no Google Search e como a empresa pretende evoluir sua estratégia diante do avanço de ferramentas como o ChatGPT.
Segundo ela, a próxima grande mudança na web pode ocorrer quando agentes de IA passarem a interagir diretamente com sites e serviços digitais em nome dos usuários.
A possível convergência entre Search e Gemini
Um dos temas abordados foi a relação entre o mecanismo de busca tradicional e o Gemini, o assistente de inteligência artificial do Google.
Reid explicou que ainda não existe uma resposta definitiva sobre como esses produtos irão evoluir.
Segundo ela, as duas plataformas estão:
- convergindo em algumas funcionalidades
- se diferenciando em outras áreas
Essa dinâmica sugere que o Google ainda está experimentando diferentes formas de integrar IA à experiência de busca.
Ela também levantou uma possibilidade mais radical: que no futuro nem Search nem Gemini sejam o produto principal.
Em vez disso, um novo tipo de interface baseada em agentes de IA poderia se tornar o ponto central de interação com a internet.
Agentes de IA como novos usuários da web
A visão apresentada por Reid sugere que agentes inteligentes poderão se tornar os principais usuários da internet.
Nesse cenário, em vez de pessoas navegarem manualmente por páginas e aplicativos, agentes poderiam:
- pesquisar informações
- comparar produtos
- preencher formulários
- reservar serviços
- executar tarefas online
Esses agentes funcionariam como intermediários entre usuários e a web.
Isso representaria uma mudança estrutural na forma como a internet é utilizada.
A competição com o ChatGPT
A ascensão de ferramentas de IA conversacional levantou dúvidas sobre o futuro da busca tradicional.
No entanto, Reid rejeitou a ideia de que exista uma disputa de soma zero entre o Google e o ChatGPT.
Segundo ela, o mercado atual é expansionário, com usuários adotando múltiplas ferramentas ao mesmo tempo.
Dados divulgados pelo Google indicam que o uso de recursos de IA pode até aumentar o volume total de buscas.
Um exemplo são as chamadas AI Overviews.
De acordo com o CEO do Google, Sundar Pichai, essas respostas geradas por IA já estão gerando mais de 10% de consultas adicionais globalmente em tipos de buscas onde aparecem.
Isso sugere que a IA pode estimular novas formas de interação com a busca, em vez de substituí-la completamente.
Personalização como vantagem competitiva
Outro ponto destacado por Reid foi a personalização dos resultados de busca.
Segundo ela, o Google pretende usar IA para melhorar a relevância das respostas com base no contexto do usuário.
Um exemplo citado foi o reconhecimento de assinaturas de conteúdo.
Se um usuário já paga por determinada publicação, o mecanismo de busca poderia priorizar esse conteúdo em vez de exibir artigos protegidos por paywalls inacessíveis.
Essa abordagem busca tornar os resultados mais úteis e personalizados.
IA multimodal e a nova indexação da web
Reid também destacou que os avanços em modelos multimodais estão transformando a forma como o Google indexa conteúdo.
Historicamente, mecanismos de busca tiveram maior facilidade para compreender texto.
Com a evolução da IA, o Google agora consegue analisar com mais profundidade:
- vídeos
- áudios
- imagens
- conteúdos multimídia complexos
Segundo Reid, os modelos atuais conseguem compreender conteúdo audiovisual em um nível que não era possível alguns anos atrás.
Isso amplia significativamente a quantidade de informação que pode ser indexada e organizada pelos sistemas de busca.
Monetização da busca com IA
A introdução de respostas geradas por IA também levanta questões sobre monetização.
Historicamente, grande parte da receita do Google vem de anúncios exibidos em resultados de busca.
No caso das AI Overviews, a empresa está adotando uma abordagem cautelosa.
Estudos de mercado indicam que anúncios ainda aparecem raramente dentro dessas respostas.
Uma análise da plataforma de inteligência de busca Adthena encontrou apenas 13 anúncios em 25 mil buscas analisadas, representando uma frequência de cerca de 0,052%.
Segundo executivos do Google, a empresa pretende continuar testando modelos de monetização antes de expandir o formato.
O futuro da web com agentes
A possibilidade de agentes de IA atuarem como usuários diretos da internet levanta questões importantes para o futuro da web.
Se agentes passarem a executar tarefas online automaticamente, isso pode alterar profundamente:
- o design de sites
- modelos de publicidade
- estratégias de SEO
- fluxos de interação digital
Sites podem precisar se adaptar para serem consumidos não apenas por humanos, mas também por sistemas automatizados.
Agentes inteligentes executam tarefas
As declarações de Liz Reid indicam que o Google enxerga a próxima fase da internet como profundamente influenciada por agentes de inteligência artificial.
Enquanto o Search e o Gemini continuam evoluindo, a empresa considera a possibilidade de que um novo tipo de produto — baseado em agentes autônomos — possa se tornar a principal interface de interação com a web.
Se essa visão se concretizar, a internet pode deixar de ser um espaço onde usuários navegam manualmente e se transformar em um ambiente onde agentes inteligentes executam tarefas, pesquisam informações e interagem com serviços digitais em nome das pessoas.