Anthropic revela que a IA Claude escreve quase 100% do código da empresa

Anthropic

A Anthropic acaba de cruzar um marco que, até pouco tempo atrás, parecia exagero ou marketing futurista. Segundo Mike Krieger, praticamente todo o código do laboratório de IA hoje é escrito pela própria inteligência artificial da empresa, o Claude.

A declaração chamou atenção não apenas pelo número — próximo de 100% —, mas pela naturalidade com que foi apresentada. Pull requests com 2.000 a 3.000 linhas de código, gerados inteiramente por IA, tornaram-se rotina no dia a dia dos engenheiros da empresa.

Mais do que um avanço técnico, o episódio sinaliza uma mudança estrutural na engenharia de software.

De previsão polêmica a realidade operacional

A revelação valida uma previsão feita pelo CEO da Anthropic, Dario Amodei, ainda em março de 2025. Na época, ele afirmou que a IA escreveria:

  • 90% do código em três a seis meses
  • Praticamente todo o código em até 12 meses

A fala gerou forte ceticismo no setor. Muitos argumentaram que sistemas complexos, seguros e escaláveis não poderiam ser construídos majoritariamente por IA em tão pouco tempo.

Menos de um ano depois, a própria Anthropic afirma que essa previsão se concretizou por completo.

Engenheiros que não escrevem mais código

O avanço não ficou restrito a discursos executivos. Boris Cherny, responsável pela iniciativa Claude Code, revelou que não escreve código manualmente há meses.

“Para mim, pessoalmente, tem sido 100% há dois ou mais meses. Eu nem faço pequenas edições manuais. Enviei 22 PRs ontem e 27 no dia anterior — todos 100% escritos pelo Claude.”

Em janeiro, um porta-voz da Anthropic havia informado que a média interna ficava entre 70% e 90%. As novas declarações de Krieger indicam que esse patamar agora atingiu a conclusão efetiva.

O que os engenheiros humanos fazem agora?

O dado mais importante não é que a IA escreve código — mas o que mudou no papel dos engenheiros humanos.

Na Anthropic, os desenvolvedores deixaram de:

  • Escrever código linha por linha
  • Implementar manualmente lógica repetitiva
  • Resolver tarefas mecânicas de engenharia

E passaram a focar em:

  • Planejamento de alto nível
  • Arquitetura de sistemas
  • Supervisão e validação
  • Formulação de prompts e objetivos
  • Revisão crítica e responsabilidade técnica

Ou seja, o trabalho migrou da execução para a orquestração.

Ganhos mensuráveis de produtividade

Segundo uma pesquisa interna da Anthropic publicada em novembro de 2025:

  • Funcionários usam o Claude em 59% do trabalho diário
  • A produtividade aumentou em 50%
  • Isso representa um crescimento de 2 a 3 vezes em relação ao ano anterior

Além disso, a autonomia do Claude Code aumentou rapidamente. Seis meses antes, o sistema conseguia executar cerca de 10 ações consecutivas antes de precisar de intervenção humana. No fim de 2025, esse número já havia subido para aproximadamente 20 ações independentes por tarefa.

“O trabalho ficou mais criativo”

Curiosamente, os relatos internos não descrevem perda de satisfação profissional. Pelo contrário.

Cherny resumiu a mudança assim:

“Nunca tive tanta alegria no dia a dia do meu trabalho. Basicamente todo o trabalho tedioso o Claude faz, e eu posso ser criativo.”

Isso reforça uma tese que começa a ganhar força no setor: IA não elimina o engenheiro — redefine onde o valor humano está.

O que isso significa para o resto da indústria?

Mesmo com o avanço da Anthropic, a adoção fora dos grandes laboratórios ainda é desigual. O CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou em 2025 que cerca de 30% do código da empresa já era gerado por IA — número semelhante ao da Salesforce.

Ou seja:

  • Labs de IA estão no limite extremo
  • Grandes empresas seguem em estágio intermediário
  • O mercado tradicional ainda observa com cautela

Alguns críticos lembram que, mesmo quando a IA escreve o código, humanos continuam sendo essenciais como designers, revisores e responsáveis finais. Outros apontam que os números se aplicam principalmente a ferramentas internas, não necessariamente ao código-base do modelo principal.

Reação do mercado: impacto global

O impacto da notícia foi imediato. Ações de grandes empresas indianas de serviços de TI, como Infosys, TCS e HCLTech, caíram após a divulgação.

Investidores começaram a reavaliar o modelo tradicional de serviços de tecnologia baseados em mão de obra intensiva, diante de um cenário onde IA pode assumir grande parte da execução.

O verdadeiro marco não é “100% do código”

O ponto mais importante dessa história não é o número em si. É o que ele representa.

A Anthropic mostra que:

  • IA já consegue sustentar ciclos completos de engenharia
  • A escrita de código se tornou uma commodidade automatizável
  • O gargalo agora está em decisão, intenção e responsabilidade

O valor do engenheiro não desaparece — ele muda de lugar.

Conclusão

Quando um dos principais laboratórios de IA do mundo afirma que quase todo o seu código já é escrito por IA, não estamos diante de uma curiosidade técnica. Estamos diante de um ponto de inflexão histórico.

A pergunta deixou de ser “a IA consegue escrever código?”.

Agora é:

o que significa ser engenheiro de software quando escrever código deixa de ser a parte central do trabalho?

A resposta a essa pergunta vai definir não apenas carreiras, mas toda a economia do software nos próximos anos.

Cadastre-se na nossa newsletter

Inscreva-se na newsletter para ver novas fotos, dicas e postagens no blog.​

Subscribe to My Newsletter

Subscribe to my weekly newsletter. I don’t send any spam email ever!